quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ela não pintaria os cabelos por ele


Ela não pintaria os cabelos por ele. Quem sabe fosse capaz de trocar seu músico de jazz favorito, ou até mesmo o jazz pelo blues. Uma nova maneira de vestir-se era uma hipótese a ser considerada. Os cabelos, não.

Lembra com saudade daquela noite – não possuía lua cheia nem estrelas, ou nem percebera. Ele pôs a mão no bolso, tirou um cigarro. Pegou a caixa de fósforos para acendê-lo – mas cigarro tem de ser aceso com isqueiro, pensava ela. Entretanto, surpreendeu-a: guardara o fósforo usado de volta na caixa. E ela ainda não havia visto que os seus olhos eram verdes.

Mas os homens mudam. A separação fora inevitável. Talvez se eu houvesse tido um filho... Não! Ela também não o queria. Até a cor dos olhos mudaram. Agora, azuis.

Ela fizera uma única plástica. Ainda possuía os seios erguidos. Os saltos altos começou a usá-los menos frequentemente. Mas nos dias de reunião não havia problemas, até sentia-os confortáveis.

 Ela saía com amigas nos finais de semana. Sexta-feira, principalmente. No sábado, gostava de ver filmes. Os sábados eram os dias que mais lembrava dele. E justamente em um sábado, em um sábado à tarde. Logo em um sábado – no dia da criação –, ela o vira com uma menina cabelos negros.

Então, resolveu conquistá-lo novamente. Ela estava disposta a fazer tudo por ele. Mas os cabelos, não.

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o que será que me dá

Sussurando em versos e trovas.